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quelimane |
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Em relação às crianças internas na Casa Esperança, pode-se dizer que acabam por ser beneficiadas em relação às restantes. A casa foi construída em 1992 e alberga cerca de 30 rapazes que, devido à falta de condições familiares, foram acolhidos para aqui permanecerem durante o tempo necessário. Esta casa é composta por cinco grandes quartos com camaratas, um quarto para o responsável da casa e um quarto para as crianças mais pequenas. Estes rapazes fazem as suas refeições no refeitório com mesas e bancos corridos e podem ver um pouco de televisão numa pequena sala para isso destinada. Num edifício ao lado, construído em 2003, encontra-se um grande salão, onde eles podem fazer os seus trabalhos de casa, estudar e ter explicações. Estas crianças fazem três refeições por dia (pequeno-almoço às 9:30, almoço às12:00 e jantar às 19:00). A alimentação é feita à base de farinha e feijão. Comem peixe duas vezes por semana e carne uma vez por mês. Os frutos da época constituem também um alimento por eles consumido. A vida da casa é auxiliada por duas senhoras, que coziam as refeições, confeccionam os uniformes escolares e lavam a roupa dos mais pequenos. No entanto, os rapazes têm também tarefas a desempenhar, nomeadamente na machamba que se encontra nas traseiras da casa e onde se plantam couves e milho. Os mais velhos são responsáveis por lavar a sua roupa e limpar as casas-de-banho e as demais divisões da casa. A maior parte destas crianças estuda na Escola do Aeroporto, situada a dois minutos de casa, até à 7ª classe, a partir da qual são obrigadas a mudar para outra escola, também não muito longe. Assim, com as pequenas ajudas que recebe, a Casa Esperança proporciona dormida, alimentação, vestuário e estudos a estas crianças, embora com algumas dificuldades. As principais carências destes meninos são a nível de vestuário e de material escolar, não considerando as questões relacionadas com a falta de afecto, carinho e ambiente familiar, visto que as visitas dos parentes são quase inexistentes. As crianças externas da Casa Esperança vivem de forma precária, devido à falta de infra-estruturas das suas casas e da condição financeira das respectivas famílias, dado que estas vivem praticamente apenas da venda dos alimentos que produzem nas suas machambas, o que mal chega para o sustento familiar. A Casa Esperança apoia mensalmente estas crianças, nomeadamente através do fornecimento de material e uniforme escolares e de algum dinheiro no caso de serem crianças com a sorte de ter um tutor. No entanto, mesmo com esta ajuda, estas crianças vivem em condições de necessidade extrema, cujas principais carências são a nível alimentar. Tanto as crianças internas da Casa Esperança como as crianças externas passam por dificuldades a vários níveis, algumas vivendo em condições indignas para um ser humano, essencialmente se considerarmos que são apenas crianças! Por esta razão, estes são os afilhados escolhidos pelo PTàD, numa tentativa de mudar, aos poucos, a realidade triste em que eles vivem. Assim, carências a nível alimentar, de educação, de vestuário ou de saúde são o tipo de necessidades que afectam estas e muitas outras crianças moçambicanas, fazendo delas o grupo para o qual o PTàD dirige a sua intervenção.
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