Foram precisos 9 dias para começar a perceber e a sentir Moçambique e as suas gentes.
A minha chegada e percepção deste país assemelha-se à viagem de avião: um levantar perfeito e um boom estrondoso a aterrar (o piloto já estava embebido nos ares africanos ou noutras coisas). A saída do avião causou impacto, as cores e os cheiros são outros, diferentes. À chegada fiquei a conhecer o Padre Jorge e não foi preciso muito para poder dizer que é um grande Homem com uma grande obra.
Logo no primeiro dia senti-me em casa, acolhido por todas as inúmeras pessoas que entram e saem de casa e que ainda hoje não sei bem quem são, mas sei que são todos família.
Antes de começar o trabalho tive e oportunidade de assistir a uma missa de baptismo, ou melhor, a uma festa. Tudo canta de uma maneira alegre, parece que lhes está no sangue. Foram 3 horas que passaram a voar e que me deram ainda mais vontade de dar tudo o que posso dar aos nossos amigos moçambicanos.
O trabalho começa.
Durante esta primeira semana integrei os ATACAntes da pintura que ganharam um novo membro mas mais nada do que isso. Não posso ser mais desajeitado, e quem me conhece sabe bem que é verdade. Apesar disso eles não gritaram muito e lá fiz os meus sarrabiscos que eu acredito que ajudaram a trazer cor e alegria ao recreio desta escola. As alegres crianças ajudaram com sorrisos apesar das naturais traquinices de algumas que “lovam” outras. Dois segundos de um pincel pousado sem guarda e lá aparecia: “Albino love Ellia” ou algo do género.
Passada a natural surpresa e vergonha as crianças até acabam por gostar dos “mulungos” (brancos) e o nosso relacionamento ganha com a confiança delas. Em paralelo o PTàD corre bem com o grande trabalho dos outros atacantes que têm a difícil tarefa de encontrar, num mar de gente, em casas todas iguais, situadas em ruas sem nome (com números), as crianças que este projecto vai ajudar através da solidariedade dos que estão aí em Portugal.
Quanto ás impressões deste país, tenho que ser breve: guia-se pela esquerda, todos vendem tudo, e se não fosse e Coca-Cola e a mCel (operadora de telemóveis) tudo era cinzento (estas duas empresas pintam todas as “lojas”, de cima a baixo, com a sua publicidade).
Tinha muito mais para contar mas há trabalho para fazer e novas oportunidades para escrever.

Um abraço de saudade para toda a família e em especial para todos os irmãos e irmãs (mariana e Carolina: olá, parabéns Mariana, beijinhos Carolina).
Abraços e beijinhos para todos os que estão aí em Portugal e um bocadinho aqui connosco.
Tiago
Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

One Response to Chegar “lá”
  1. Grandes são aqueles que não temem desafios. Assim foi o meu irmãozinho para o continente do sol, da terra e do ritmo, ajudar no que podia pois achou que os números não chegavam. Para mim foi uma surpresa mas não o devia ser. O Tiago é mais do que aparenta, mais corajoso do que eu, inteligente, desenrascado, alguém com quem se pode contar nas horas certas. Claro que um chato do caraças também, foi preciso mandá-lo para África para ter algum sossego. Espero que volte cedo, junto dos irmãos e da família que o aguardam para contar as suas aventuras.

    grande abraço brother
    beijos para a Joana


[top]

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.