Ate onde podemos dar…Ou ate que ponto aquilo que achamos ser o mais correcto, mais justo ou melhor para quem ajudamos e de facto aquilo que necessitam.
Muito tenho aprendido eu, que aqui cheguei com as minhas concepçoes europeias de necessidades e bem-estar.Concepçoes essas que aqui não fazem o menor sentido.Necessidades que para nos são fundamentais, todos os dias, sem as quais não conseguimos (ou achamos que não conseguimos) viver.E vejo este povo, estas pessoas a enfrentar o dia a dia adverso com tantas e tantas carencias e sem sentirem a falta.Ha necessidades que aqui não existem.Necessidades essas que foram criadas nos ditos paises desenvolvidos para que nos as pudessemos sentir como muitas vezes primarias.
A experiencia que tenho vindo a ganhar, principalmente com as minhas visitas aos bairros e as familias dos nossos externos ensinaram me muito como perceber e raciocinar correctamente.Perceber o que realmente importa e desviar o essencial do acessorio.Aqui não existe acessorio.Muitas vezes nem essencial.E não deixa de haver sorrisos.Nao falta boa fe e boa vontade.Sim muita VONTADE.O potencial deste povo e desta terra e ilimitado e apenas tento a cada dia que passa poder da melhor maneira possivel ajudar a canalizar essa vontade.O meu trabalho com estas familias passa sobretudo por ouvi las.So assim e possivel perceber como e que “ nos” os vindos dos paises ditos desenvolvidos podemos de facto ajudar.
A maior parte do meu tempo e passada a olhar para as machambas, para os rostos, a visitar as casas, e quando olho para as notas penso no milagre que e estes miudos, que muitas vezes nem uma mesa tem onde de escrever, nem caneta ou lapis, conseguem ter boas notas e vontade de estudar.Entendem que ir a escola e a melhor escolha e esforçam-se por absorver e aprender o mais possivel.
Estou deslumbrada com esta coragem de viver.Com esta vontade de ir em frente e vencer que encontro todos os dias no rosto de tantas e tantas crianças.De tantas e tantas mamãs que percorrem quilometros por dia para irem as suas machambas e que ainda nos recebem, depois do trabalho com um sorriso.Nao tem agua canalizada, não tem luz, muitas vezes não tem camas ou um tecto que seja por onde não chova.Nao tem.
Perguntava a uma mamã num outro dia, se não gostava de voltar a ter luz electrica na sua casa, uma vez que já tinha tido, mas que por falta de pagamento havia sido cortada.
Ela sorriu olhou para mim e respondeu que não.Hesitou em explicar me porque.Sentiu que eu não compreenderia.Basicamente respondeu-me….a luz não mata a fome.
Beijinhos, Rita
2 Responses to Ate onde podemos dar…
  1. Olá Rita
    Grande trabalho esse aí por Quelimane! Eu sempre soube que tinhas estaleca para ele. Lembras-te das conversas que tivemos antes da partida?
    Hoje fui visitar os teus pais. Estão bem, e o brilhosinho que vi nos olhos da tua mãe não engana sobre o orgulho que sente por ti e pelo teu trabalho.
    Um beijo e continuação de bom trabalho.

    Durana Pinto

  2. Minha Krida, é com enorme orgulho que leio tudo o q aqui escreveste…! Não vejo a hora de te ouvir na primeira pessoa, a contar tudo o que viveste, aprendeste, deste e recebeste nesse pais que dizes ser "fantastico"! Um beijo enorme de todos os que te aguardam de braços abertos… E que já esperam que a tua vida a partir de agora passe a ter sempre um olho, um pé, e uma parte do coração em moçambique… 🙂
    Raquel Mota


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