Milange situa-se nas montanhas muito perto da fronteira com Malawi, tem uma paisagem muito bonita. Esta é uma localidade pequena, com as ruas quase todas em terra, casas pequenas em geral de blocos.

Estamos em Milange há uma semana e parece-nos que estamos já há muito mais tempo, a nossa adaptação foi rápida e já se sente o cansaço.
Damos explicações de todas as disciplinas (Português, Matemática, Inglês, Biologia, Química, Física, Geografia, História) a jovens entre os 14 e 23 anos, sendo no total 37. Eles encontram-se a frequentar o 8º, 9º, 10º ano e a Escola Agrária.
As maiores dificuldades são no Português, uma vez que a língua materna deles é o Chichewa.

São jovens muito aplicados nos estudos e procuram muita ajuda, para além disso a lida da casa e do campo é da responsabilidade deles. O dia começa cedo por volta das 4:45h e acaba às 21:30h.
A rotina é quebrada com jogos, debates, sessões de cinema e longas conversas principalmente sobre como é a vida em Portugal. Querem saber como é a nossa Associação, como são as pessoas, quantas pessoas são e como trabalhamos.

Nunca nos sentimos tão observadas, aqui as pessoas param, principalmente as crianças, para nos olhar e algumas apontam e riem-se como perdidas. As únicas pessoas brancas que vimos cá em Milange além de nós, são dois Freis e três irmãs da Igreja Católica e nem toda a gente é praticante.

O que nós estranhámos foi o tamanho das aranhas. A Janine tem aquele enorme medo delas. Enquanto foram só aquelas pequenas no canto da parede, não foi problema para ela, mas uma com pelo menos 15 centímetros, preta, peluda, olhos a reluzir já foi motivo para chamar a Sara para a matar. Mas até ela que, supostamente, não tinha medo de aranhas, demorou digamos que bastante tempo para a eliminar.
Estamos a adorar tudo…
Obrigada Ataca pela oportunidade que nos estás a dar!!
Milange, 14-09-08 Sara e Janine

4 Responses to Em Milange
  1. Olá Janine e Sara.

    Parabens pelo serviço voluntario que voces estão fazendo.
    Até quando vão ficar aí?

    Atualmente moro no Brasil, em São Paulo.

    Foi emocionante saber que voces estão dando aulas na escola que frequentei quando criança, na Missão Sômboa.

    Fui batizado na Igreja da missão com seis meses de idade em 1955. Na realidade nasci na Maganja da Costa e fui para Milange acabando por ser batizado lá, onde a minha madrinha foi a Nossa Senhora das Dores, pois fui batizado às pressas pois estava quase a falecer.

    Moravamos a um quilometro em linha reta da Missão, na fazenda imediatamente encostada à Missão no caminho indo para Milange.

    A Missão Somboa faz parte integrante da minha vida, eramos muito ligados aos padres e freiras da missão e entre a minha familia e os padres e freiras, existia uma amizade muito forte. Varias vezes almoçamos na casa dos padres, que agora encontra-se em ruinas.
    Tenho fotos da missão datadas de poucos anos atras.

    Pelo que disse anteriromente podem ver como tenho fortes ligações com a Missão.
    Nunca mais aí voltei, e posso dizer que só quem aí viveu, pode saber ao certo o que era viver não só em Milange, como em Moçambique.Tempos felizes…

    Uma pergunta, a eletricidade gerada para a missão ainda é fornecida por geradores da propria Missão?
    Ainda existe o pequeno riacho localizado imediatamente atras (na parte dos fundos) da escola?

    Por falar em aranhas, um dia pela manhã ao entrarmos na classe, havia na parede, entre as janelas, da metade da parede para cima, uma enorme aranha. A professora, a madre Lúcia, pegou uma fina e longa vara de bambu, que usava para vez ou outra tocar na cabeça de algum aluno desatento, e com essa vara conseguiu de um spo golpe furar a barriga da aranha e assim sossegar a classe.

    Gostaria de saber se posso dispor de vós para mais algumas perguntas.
    Grato
    Carlos Santos

  2. ola ataca..venho por este meio dar os meus parabens à vossa instituição pelo trabalho realizado e gostava, se possível, que fizessem chegar um grande beijinho à Sara, minha companheira durante 4 anos, qd tiramos o curso de serviço social em leiria.
    uma boa continuação a todos os que permitem que o projecto tenha rodas pra andar.

    Sandra Soares

  3. Caro amigo comentador anónimo, perdoe-me o facto de ser eu a responder ao seu comentário. De facto, as voluntárias da ataca em Milange não têm internet, fazem chegar os textos a Quelimane, a outras nossas voluntárias, que nos enviem os mesmos texto por email.
    É verdade que não há machimbombos directos de Quelimane para Milange… e que falta fazem!
    Aproveito também a oportunidade para o esclarecer numa outra questão… a missão de Sombua, à entrada da cidade Milange, foi fechada durante a guerra, estando ainda com sinais visiveis de destruição e abandono. Se nos escrever para o email da ataca, teremos muito gosto em lhe enviar notícias de Milange.
    cumprimentos solidários,

  4. Por mero acaso dei com este Blog. Desconhecia o ataca, mas pelo nome até parece andar aqui mão de alguém que eu conheço. Vou averiguar.Cresci em Milange, que considero a minha terrinha e onde não ponho os pés há muito, muito tempo. Ora como pelos vistos tendes net, se houver uma alma caridosa que queira trocar comigo uns e-mails agradecia. Qual o mail aí da missão? O relato da vossa viagem para Milange já me fez rir … Só quem conhece os locais pode compreender o verdadeiro alcance do que escreveram. Ao que parece já não há machibombos directos de Quelimane para Milange… Tal como há 50 anos… Então pelos vistos os irmãos Franciscanos mudaram-se do missão do Sombua para Milange? Ou designaram assim o local da v/ estada para simplificar?


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