Não é, mas está aí a chegar e aposto que em Portugal já estão as montras decoradas, os saldos de natal a rolar, os anúncios televisivos a chocolates, brinquedos e bacalhau a saturar a paciência a muita gente.

Não tarda nada, as ruas vão estar iluminadas, transformando-se em mares de gente que teima em fazer desta época a do consumismo desenfreado (só espero que o Porto não seja novamente “brindado” com a maior árvore de natal da Europa!!)

Os fins de semana vão tornar-se no habitual inferno de trânsito e engarrafamentos – fujam das proximidades de centros comerciais!

Pois aqui não há iluminação nem montras decoradas e esquecemo-nos que daqui a um mês é suposto comermos o bendito bacalhau com batata cozida e muito alho! Quer dizer, agora lembramo-nos.

E pronto, agora que fomos mazinhas e falamos do que nos irrita, passamos ao que nos fará falta: a família, a alegria de fazer a árvore de natal com os miúdos em casa dos pais, avós e afins…o sentimento de sermos dali e estarmos em casa, o frio da rua e o calor da lareira.

Pois aqui também estamos em casa e crianças não nos faltam para alegrar a época. E também fazemos compras: temos o mercado da roupa (onde se encontram peças usadas fantásticas e as famosas capulanas), as lojas comerciais Quelimanenses, com uns vestidos monhés top model e, claro, lojas dos chineses – sim, também aqui!

Como não há centros comerciais, aproveitamos a boleia do P. Estêvão ou do Gani e vamos à praia…é uma chatice! Pois: aqui está calor.

Temos lojas de bebidas que também vendem gel de banho, lojas de tabaco que também vendem verniz das unhas, a Casa das Frutas que toda a gente julga ser frutaria até descobrir que tem tudo, o Atlântico onde fazemos as compras para o mês, o mercado do peixe onde compramos peixe fresco, camarão, amêijoa, caranguejo…o vendedor de fruta na rua com ananases e mangas e, muito importante, em cada esquina e onde menos se espera, alguém que vende giro (tradução: recarga de telefone para nos manter em contacto com o mundo e com a cidade já que vivemos no bairro!).

Também tomamos café no intervalo da azáfama (!!) das compras no Saima, onde o Sr. Carvalho prometeu ensinar-nos a fazer massa folhada ou bebemos uma Coca (sim, às vezes uma Laura…) no Gani, o nosso canto de paz com vista paradisíaca para o Rio dos Bons Sinais. Vamos à Net no Zambézia (desde a história da pizaria), conversamos com o Hélio (sempre sorridente) e passamos depois no talho da D. Eugénia. Não faltamos à visita ao Xeque-Mate, onde o Rui Tuga (filho da D. Eugénia do talho) tem sempre umas histórias animadas e um ar condicionado magnífico que acabamos por dispensar já que no pátio estão os cães (o Xeque e o….) e sentimo-nos como em casa de família, de visita.

Entre toda esta animação ainda temos tempo para as conversas em casa de amigos como a Andréa, o Yussuf e toda a família e outros que vão aparecendo – beijos para os Açores e até Janeiro, Dina e Pedro!

Até parece que é só festa, não é? Afinal ser voluntário é maningue nice…

Pois então voltamos à secção crianças para falar dos que nos acompanham todos os dias. Hoje apresentamo-vos o Isac e o Atanázio.

O Isac, ou ratinho, é um excelente cozinheiro e dos putos mais mexidos que já vi. Até a falar é rápido, o que sai da norma do moçambicano “normal”. Acho que daria um bom político porque tem cá uma desenvoltura no discurso que até a mim me convence. É demais a contar histórias e no outro dia disse-me que havia guerreiros e marinheiros no feijão do jantar e estavam todas a lutar…acho que o feijão ganhou bicho!!! Enganei-me. O feijão está bom, estes putos inventam cada uma! No dia seguinte perguntei-lhe quem ganhou a batalha do feijão: “Empataram, tia, na minha barriga!”

O Atanázio, ou Ataná (como prefere ser tratado), é o mais recente membro Casa Esperança. Chegou pouco depois de mim e não se adaptou muito depressa. Cá em casa dizem que este é dos “teimosos”. A verdade é que personalidade não lhe falta e agora que está mais à vontade, dá gosto vê-lo rir e brincar com os mais novos. Acho que se tornou também no ajudante de curandê mais aplicado da casa (tradução: ajuda o mano Latifo nos colares) mas também no mais esperto – o Latifo queixa-se que este não trabalha de graça! Vai começar a ir à escola este ano mas no estudo cá em casa percebemos que aprende depressa e é muito atento. E atento é em tudo: está sempre a observar o que se passa e a ele não lhe passa nada ao lado!

E pronto, já vai longo o texto e ficamos por aqui. Beijinhos às sisters que já partiram (não esquecer o resultado das folhas de goiaba!) e a todos que estão por aí, a curtir o frio e o pai natal de gorro. Nós por cá, é mais biquini…

Paula e Sara

5 Responses to É Natal, é Natal…
  1. O frio chegou e está para ficar!! brrr!! A árvore gigante ficou de novo em Lisboa, o Porto safou-se desta!! Lol

    Por aqui tudo roda à volta das compras e das montras, das luzes e do dinheiro… é o Natal do consumismo…

    Cá por casa, tudo corre é à volta de caixotes e mais caixotes! A nossa viagem está para breve e já está marcada: 14 de janeiro (lx-maputo) e 20 de Janeiro (maputo-quelimane)!!!
    Por isso, o Natal açoriano desta vez anda às voltas com arrumações e malas para fazer!! E é bem melhor do que às voltas nas ruas e aos encontrões nos centros comerciais!!

    tá quase!!
    Beijinhos açorianos
    Dina

  2. Ola Sara e já agora amigas dela, bigada pelo teu lindo postal, adorei. Quando o recebi fikei durante um longo tempo a tentar perceber k a sara leao k vinha no remetente eras mesmo tu… Ja andamos na azafama de marcar um dia pro jantar de natal e como sempre é complicado encontrar um dia k toda a gente possa. E no meio da lista de contactos, aparece o teu nome e este ano, pela primeira vez nao envio para ti nenhuma sms… é estranho… mas o k importa é k estas no nosso pensamento… beijo e ate kualker dia…

  3. Luzes já as há desde finais de Outubro, montras com renas, pais natais e bonecos de neve até enjoar. Agora, a partir da semana que vem, vão começar as enchentes de pais natais em lojas, centros comerciais e supermercados (sei porque me enfiam isso na cabeça de cada vez que saio à rua com a minha filha)… sim, o natal continua consumista em Portugal.
    Não sei quem escreveu este post porque não o assinaram, mas já o disso à Paula e volto a repetir aqui, gostava muito de enviar brinquedos às crianças da casa da Esperança. Mesmo não havendo este consumismo aí, mesmo não sendo o que elas mais precisam, acho que qualquer criança fica feliz com um brinquedo. Não me respondem da Ataca (ao email) para saber como o poderei fazer.

    Eu sei que a família vai sempre fazer falta e provocar saudades, principalmente no Natal, mas também me parece que a experiência que estão agora a viver é demasiado importante para se perderem em saudades, e melancolias. No próximo Natal vão sentir saudades das vossas crianças… quanto apostam?

  4. Olá tias,
    Belo post! Gostei de saber estas curiosidades e hábitos das gentes de zambique. Felizmente, por cá este ano não há árvore maior da europa, mas abriu mais um mega shopping lá para os lados de Leça. Esqueçam o bacalhau e aproveitem as belas iguarias que certamente por aí há. (Já estamos a tratar de enviar algumas receitas).
    Postem mais fotos das ruas e das gentes (como a da Florentina)… e para quando um post inteirinho em criolo?! Força meninas!

  5. Estamos a ver que afinal o cérebro está a recuperar daquela semana de calor tão intensa e que tanto nos transtornou!!!…A produção de textos está intensa, hem?! Já outro blog?! Estamos cheeinhas de saudades e não, ainda não podemos falar dos resultados das folhas de goiaba… Estamos a aguardar o momento ideal!!! Não tenham saudades do frio que agora se entranha ainda mais no corpo, nem do movimento das ruas, nem das correrias loucas para cumprir os prazos e os objectivos, nem da competitividade sem sentido e da necessidade de ter mais uma coisa que não faz falta, nem das caras sérias de mais, e dos sorrisos de menos… áproveitem bem… Saudades aos nossos meninos das tias Mena e Tita e beijinhos para vocês. Sejam felizes.
    As sisters


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