Como descrever a sensação de não ter telemóvel nem internet.Ao mesmo tempo em que a partir das 17 horas também não há àgua nem luz?
Como explicar a dificuldade que é para o ser humano, habituado a todos estes caprichos como dado adquirido…..nós sobrevivemos, e a nossa família e amigos também.
Foram duas semanas difíceis, principalmente para quem ai longe não sabia nada de nós.E para nós, que não tinhamos maneira de dizer, estamos bem, estamos vivas…foi só um cabo qualquer.
Mas a verdade é que estamos bem.E melhor ou pior sobrevivemos.E aprendemos de novo a dar valor a pequenos nadas adquiridos por nós como naturais do quotidiano. Faz parte do vountariado e daquilo a que nos propusémos a vir fazer.É algo menor quando comparado a tantas outras adversidades e dificuldades do nosso dia-a-dia.
O verdadeiro desespero era o trabalho…que não podiamos enviar para Portugal, que se ia acumulando.Mas nós, só podiamos fazer uma coisa, visto que mandar um telegrama não era viável-continuar a trabalhar.
Fazendo um ponto de situação nesta fase e com menos uma, temos as cartas e os desenhos já quase todos feitos.Estamos a recolher as notas escolares, enquanto ao mesmo tempo fazemos as visitas a todas as casas, uma por uma das mãmãs.

É é para mim das melhores partes do nosso trabalho.Ver a evolução das casas, da sua construção, os melhoramentos que, graças aos padrinhos, contribuem para habitações um pouco m
ais dignas.E é fundamental este trabalho que aqui tem sido feito.

Claro que, tendo noção que este projecto é arrojado e que implica um enorme esforço de trabalho e laços de cumplicidade muito grandes, nem todos terão sucesso.Mas os que têm compensam aqueles que não têm, porque a diferença que fazemos é extraordinária.

A vida em casa continua normal, e os nossos meninos continuam a dar-nos muito que fazer e a reclamar de toda a nossa atenção e desempenho.

Queria também, e porque ainda não o fiz, deixar aqui as minhas palavras de honra, respeito e agradecimento à Patrícia Ferreira, a nossa voluntária recém-chegada em Portugal.
Como tive o prazer de lhe dizer pessoalmente foi uma honra tê-la a trabalhar cá, o seu trabalho foi exemplar e tenho a certeza deixará os seus frutos.
Foi uma grande amiga e uma grande companheira, e como tal, agradeço-lhe por tudo o que aqui conquistou.Muito Obrigada Patrícia, assim é fácila ATACAr a pobreza.

A todos vós ai, muito obrigada por todo o trabalho e apoio que nos têm dado.Foi pelo trabalho que aqui viemos.

Continuamos Juntos

Rita

4 Responses to A meio do caminho
  1. Parabéns, Rita pelo trabalho feito e pelas fotografias que a mostram feliz e igual a si própria. 🙂

  2. Continuação de bom trabalho! Continuamos todos a andar para o mesmo sentido e isso é realmente bom de se sentir!
    É uma honra como já vos disse poder trabalhar do lado de cá, junto desta equipa magnífica para que desse lado nesse agora trio mas antes quarteto magnífico tudo role também.. E VICE-VERSA! Obrigado pelo trabalho que tem feito! BRUTAL!

  3. Olá meninas!

    Aleluia à internet e às telecomunicações!Já tinhamos saudades vossas! Este blog periódico que ansiosamente vamos esperando é a ponte que nos liga a Quelimane, são palavras e sentimentos partilhados que nos estimulam no trabalho que por cá vamos desenvolvendo… Não temos mãos a medir, sinal de muita eficiência desse lado: muito obrigada às três por essa força, por continuarem a desenvolver um óptimo trabalho apesar das cicunstâncias serem tão adversas. Gostavamos também que dessem uma palavra de apreço ao nosso amigo Evaristo que sabemos ser peça crucial nessa vossa saga! E, claro, não esqueçam de dar aquele abraço cheio de saudades aos nossos meninos…

    Um grande abraço para cada uma de vocês (o mais apertado possível :))

    das sisters

  4. Patrícia - Tia Pata 22 Maio, 2010 at 11:10 Responder

    Querida Rita,

    Lágrimas,lágrimas,lágrimas e mais lágrimas são as melhores sensações que se podem ter ao ler o vosso desempenho, o vosso trabalho, a vossa vontade,a vossa coragem,a vossa força, a vossa humildade, a vossa capacidade, a vossa sobrevivência e por fim toda a vossa dedicação incondicional que têm pelos que mais precisam.
    Como tenho orgulho nas " minhas meninas"!
    Que saudades dessa imensidão de aprendizagem e de experiências inesqueciveis! Quando se Ama de verdade nada se esquece, pois tudo já faz parte de nós. Fico eternamente grata pelo teu testemunho em relação a mim, e graças a ti e a ATACA tive a oportunidade de abraçar um projecto como o vosso, Fi-lo de corpo e Alma e por inteiro….pois só sei Amar assim!
    Seja por Africa, seja por Faria Guimarães nós ESTAMOS JUNTOS.
    Tia Pata


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