Passado um mês tudo parece mais normal. Já me sinto em casa.
Como já acabamos as visitas temos tido mais tempo para estar na Casa Esperança. É realmente um privilégio poder acompanhar os miúdos que lá vivem.
Os miúdos recebem-nos todos os dias com um grande sorriso e passamos o tempo todo a ouvir: “Tia, tia! Vem cá!”. Para além, de todas as brincadeiras, jogos e histórias que partilhamos com eles, temos ocupado bastante tempo a ajudá-los a fazer os trabalhos de casa. Fiquei impressionada com a dificuldade que a maioria deles tem em ler e em responder a questões razoavelmente fáceis. Senti-me tão útil que tenho saído de lá com a alma cheia! É nestas alturas que nos apercebemos que com coisas tão simples se pode fazer a diferença na vida destas crianças.
Mesmo assim, com as dificuldades que temos constatado, ainda tivemos oportunidade de presentear as crianças que obtiveram uma média igual ou superior a 12 valores no final do 2º trimestre. Para tal, num sábado juntámos todas as crianças e fomos chamando uma a uma, para receberem uma t-shirt da selecção portuguesa. Podíamos ver nos seus olhos a alegria que sentiam quando seguravam na camisola. Por outro lado, as outras crianças questionavam-nos porque não tinham recebido nada e “obrigavam-nos” a fazer novamente a média das notas à sua frente! Reforçamos que se continuarem a estudar, poderão receber no próximo trimestre. Em 27 crianças, 10 obtiveram a média tão desejada! Mas acredito que ainda existe um caminho muito longo a percorrer neste sentido.

Para além destas tarefas típicas de qualquer criança, estes meninos são autênticas pessoas grandes, que trabalham na sua casa e fazem tudo o que for preciso. A partir das 17h, um deles dirige-se para a zona da cozinha para começar a preparar o jantar. Por vezes, este é um processo longo com várias fases. Em primeiro lugar, coloca-se a lenha no fogão. A seguir, tem que se peneirar o arroz ou o feijão. E, posteriormente, lava-se para que depois se possa cozinhar! Os tachos têm que ser enormes e é preciso ter força para carregá-los quando estão cheios de água. Afinal têm que cozinhar quase para 30 pessoas. Tarefa nada fácil!
E é assim que se vai vivendo nesta casa, onde as crianças são “gente grande”!

Beijos e abraços,
Mónica Correia

2 Responses to Onde as crianças são “gente grande”…
  1. Que bom que foi entregar as tao desejadas camisolas da selecçao =)

    E sim, estes miudos parecem mesmo gente grande… E muita coisa aprendemos com eles.

  2. Olá Mónica,

    São pequenas vitórias como a que nos relatas que fazem acreditar que é possível por em prática o Plano de Actividades traçado pela ataca, em conjunto com o seu parceiro local, para o futuro da Casa Esperança. Apenas cumprindo esse Plano, o projecto terá sucesso.

    Estamos no início! Forças redobradas para o que falta.

    Parabéns!

    Abraço,
    Miguel Freitas


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