… desde que cheguei a Quelimane. Durante a semana o trabalho a desenvolver passa por visitar as famílias para recolha/actualização de dados ou para dar informações, e por dar apoio aos meninos da Casa Esperança, dando explicações, fazendo desenhos, brincando com eles, ajudando-os no que é possível. Como somos 4 voluntárias, de manhã 2 fazem visitas às famílias nos bairros onde residem e as outras duas vão para a Casa Esperança. Da parte da tarde trocamos as tarefas.
As visitas às famílias nos bairros são muito interessantes, inclusive o percurso de bicicleta até ao destino, mas tal só é possível com a ajuda do nosso colaborador Evaristo, sem o qual estaríamos completamente perdidas. Durante as deslocações o movimento de pessoas e veículos nas ruas, o comércio de rua, as escolas, os bairros com as suas casas merecem a nossa atenção.
Na primeira semana acompanhamos algumas mães aos Serviços Provinciais de Identificação Civil da Zambézia (em Quelimane) para tratar do B.I. e achei curioso existirem duas filas, uma para mulheres e outra para os homens. A explicação que dão prende-se com o facto de a mulher ter muitos afazeres e por isso tem prioridade no atendimento. Os homens como têm muito tempo (pois não têm nada para fazer) podem esperar na fila. Mas apesar disso, nem por isso a fila das mulheres é rápida.
Nos dias 8 e 15 de Outubro de 2011 foi dada formação sobre a SIDA a todas as mamãs cujas crianças são apoiadas pela ATACA. A formação teve uma boa adesão e participação por parte das mesmas. Os primeiros minutos da formação, como é óbvio, foram dominados pela timidez e vergonha de falar sobre o tema, mas aos poucos algumas mães tomaram a iniciativa de intervir, expondo a sua opinião e conhecimentos sobre a SIDA. Foi muito bom para esclarecer ideias erradas que tinham sobre a SIDA e no final foi gratificante ver algumas mães a virem pessoalmente pedir o nosso conselho.
No dia 13 de Outubro de 2011 fomos a Inhassunge, onde também apoiamos um grupo de crianças. Atravessamos o rio em direcção a Inhassunge e para nosso espanto o barco começa a partir antes da hora (10 m antes) e a colega que estava a comprar os bilhetes teve de correr e saltar para o barco, já em andamento. No final, o barco teve de recuar para recolher as pessoas que não tiveram tempo de embarcar. Chegados a Inhassunge deparamo-nos com uma paisagem muito diferente de Quelimane, pois não há quase nada. Até às instalações da Concern (nosso parceiro em Inhassunge), para se planearem as visitas desse dia, fizemos um percurso (numa pick-up da Concern) por uma longa estrada de terra, lama e covas, que durou 45 minutos (isto para percorrermos praticamente uma recta de 15 km). Começamos as visitas de manhã, debaixo de chuva e trovoada, que teimavam não abrandar. Enquanto não se sentia a roupa molhada no corpo, tolerava-se e até dava para rir, mas aos poucos já começava a perder a piada, a roupa já colava ao corpo, cabelo ensopado, sapatilhas e calças com lama, os óculos já atrapalhavam, capa e folhas molhadas, e tirar apontamentos ou fotografias sem molhar as folhas ou a máquina fotográfica era missão impossível. Ao final da manhã o tempo começou a melhorar e até terminarmos as visitas e irmos embora esteve sempre sol. E ainda bem, porque o percurso é todo feito a pé por caminhos e trilhos, passando de quando em quando por casas (muitas feitas de folhas de coqueiro e outras de pau, maticadas), campos e áreas cobertas de vegetação típica da região como coqueiros e bananeiras. Esta região é bastante mais pobre que Quelimane e com muitas carências. Nenhuma das casas visitadas tem água ou luz. A água que recolhem muitas vezes não é proveniente de poço, mas sim de uma cova a céu aberto. E essa água (turva) serve para tudo, inclusive para beber, conforme nos confirmou uma mulher que estava a retirar água de uma dessas covas.
1ª Missão de Voluntariado de Mónica Pinho.
Quelimane, 16 de Outubro de 2011

One Response to Já passaram 2 semanas…
  1. Muitos parabéns pelo vosso trabalho!!! Admiro a dedicação e coragem com que se entregaram a esta missão. Faço votos para que sejam muito felizes, concretizem os vossos objectivos e, principalmente, que durante a vossa vida recebam o retorno de tudo o que de tão bom estão a fazer por essas pessoas. Um abraço.
    Paula


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