Chegadas exatamente há trinta e nove dias às terras do Índico já estamos perfeitamente integradas. Fomos recebidas com muito carinho pelas voluntárias que cá estavam à nossa espera, e com muito calor e sorrisos de toda a comunidade local e estrangeira de Quelimane do Sal.
Pareceu-nos uma boa ideia selecionar uma das experiências que nos marcou a todas particularmente….a ida a Inhassunge, uma localidade do outro lado do rio dos Bons Sinais que atravessa a cidade de Quelimane, onde estamos.  Fomos de batelão, por outras palavras,um barquito com o som de um barcão! Apanhamos o  das 7.30.
Primeiros passos na outra margem além rio e deparamo-nos com a África descrita já por tantos que por aqui passaram. Esperava-nos um jipe de caixa aberta e muitos km de terra batida pela frente.  Saltei rapidamente para cima do pneu suplente, na esperança de amortecer o corpo…Pouco tempo consegui estar sentada. Era demasiada tentação, não aproveitar aquela paisagem do mais alto de mim e permitir que aquele vento e aquelas cores me lavassem a alma. Atravessamos machambas incontáveis de arrozais, sarapintados pelas capulanas das mamãs que carregavam os bebés nos dorso. Eles dormiam, embalados pelo calor e odor do corpo, e pelo movimento repetitivo do trabalho da terra.
É assim por aqui…os pés despidos pousam nos terrenos aguados do arroz e os bebés acompanham todo o processo até ao nascimento das culturas. 
Ultrapassados os arrozais, entramos nos trilhos desenhados por coqueiros e pela vegetação selvagem. À medida que nos aproximamos das casas, aproximaram-se também os sorrisos, e as vozes em uníssono das crianças que corriam atrás do jipe. As mais destemidas  aproveitaram a boleia para um passeio arriscado agarrados à caixa do jipe, e quando a distância já era longa, foram desaparecendo na poeira da civilização.
Descemos do jipe em Carungo, perto de uma escola primária feita de pau-ferro, uma madeira mais resistente. Os bancos das crianças são troncos alinhados de frente para um quadro de argila,  pendurado  nas ripas de madeira que dividem as salas. Era dia de limpeza, por isso as crianças estavam todas reunidas no largo que intercala as duas estruturas da escola.
A simplicidade da escola, do ar, da terra,do calor e dos sorrisos foi desconcertante. Ali, a distância entre a beleza e pobreza não é uma realidade. As escondidinhas não são um jogo de crianças, a mais pura beleza, a da natureza, esconde muita pobreza.
Ao mesmo tempo, e pelas piores razões, pois são estas as famílias que vivem realidades mais carenciadas, é também nestas famílas que mais fazemos a diferença, e nas quais se nota mais evolução. Vemos mamãs que compraram terrenos, que melhoraram as casas e gerem pequenos negócios de venda de galinhas, bolinhos, arroz e farinha.  E esta é sem dúvida, a melhor parte do nosso trabalho.

Inhassunge fez-nos sentir completas, agradecidas e em casa. A força destas mamãs é a força interior de todas as mulheres, força da mãe terra, África.

escrito por Inês Manso
grupo das voluntárias “as três mosquiteiras”: Carina Moutinho, Diana Ribeiro e Inês Manso
3 Responses to A força interior de todas as mulheres, a força da mãe terra, África.
  1. Muito bom que as vossa experiências fortaleça o vosso ser, fortaleça todas as mamãs e crianças em pról de uma comunidade mais respeitada nos seus direitos.
    Um muito obrigado por todo esse vosso carinho e dedicação aos projetos da NOSSA associação. ESTAMOS JUNTOS por um mundo, um continente, um país, uma região uma comunidade melhor.
    Beijinhos a todas 🙂

  2. Adorei o post Inês! por momentos senti que estava a Inhassunge pois descreveste tudo tão bem!Fico muito contente por estarem a fazer a diferença e sentirem a evolução nas famílias mais carenciadas que a ataca apoia. Desejo-vos às 3 uma excelente missão!
    beijinhos, Francisca Castro

  3. DESCRIÇÃO ESPETACULAR!
    CURTI O NOME: "Mosquiteiras" ahahah
    Continuem a publicar notícias com força Africana!
    Abraço
    Fada Madrinha de Portugal


[top]

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.