Zonas Rurais

Milevane

ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA DE MILEVANE

A Escola Família Agrícola de Milevane, (EFAM), tem a sua sede em Milevane, localidade de Nauela, distrito de Alto Molocué, província da Zambézia.

Esta é uma Escola Básica de ensino profissional de Agro-Pecuária, e é propriedade das Irmãs do Amor de Deus, Instituição Religiosa Católica, com personalidade jurídica, plena capacidade e autonomia, reconhecida pela legislação vigente em Moçambique.

A Direcção da Escola fica exclusivamente a cargo das Irmãs do Amor de Deus, competindo-lhes também a orientação pedagógica e administrativa de forma inteiramente autónoma.

Foi fundada no ano de 1996 e reconhecida pelo Estado de Moçambique em 2003. Inicialmente abriu com o curso Educação Alternativa.

Os objetivos das Irmãs enquadram-se no Programa Nacional de Educação do Ensino Técnico-Profissional, segundo o qual se propõe:

– Assegurar a formação integral e técnica dos jovens em idade escolar de modo a prepará-los para o exercício da profissão;

– Desenvolver nos jovens as qualidades básicas da personalidade em particular educando-os a assumir uma atitude correta perante o trabalho;

– Desenvolver conhecimentos e competências no âmbito da saúde e nutrição.

A finalidade de lecionar este curso na EFAM foi a de dar noções elementares de agricultura e pecuária aos jovens, para promover a sua inserção no mercado de trabalho e fomentar a realização e desenvolvimento pessoal e social destes alunos, permitindo que se integrem e combatam a pobreza na sua comunidade.

Pretende-se formar jovens empreendedores na procura do seu emprego, promovendo formação de qualidade que se baseie no saber fazer.

 

ESCOLA PRIMÁRIA DE MILEVANE

No ano 2023 a ATACA começou a apoiar crianças também na escola primária de Milevane. Das famílias apoiadas pela ATACA, só uma das mamãs sabe ler em português e todos falam Lomué, o dialeto local. Não há mesas na escola e fazemos as atividades nas cadeiras de plástico, mas é muita a alegria neste caminho que começámos a fazer juntos.

O apoio dos tutores no âmbito deste subprojeto PTàD permite-nos apoiar com material escolar as crianças e, no futuro vir a fazer, aos poucos, pequenas melhorias na escola e nas condições de aprendizagem. Esta comunidade vive em condições muito simples, sem energia em casa e indo buscar água ao poço.

A vontade e o entusiasmo das crianças por poderem frequentar a escola é difícil de transmitir por palavras.

Murraça

Murraça situa-se a cerca de 200 km de Quelimane e é uma zona muito rural, onde a população se dedica à machamba (agricultura) e à criação de vacas e cabras. A educação é ainda pouco valorizada e as crianças e jovens desta comunidade não têm, por norma, perspetivas de chegar a ciclos de estudos avançados.
A Escola Nossa Senhora de Fátima em Murraça tem mais de 1000 alunos entre a 8ª classe e a 12ª classe e a sua gestão está a ser gradualmente entregue, desde 2018, às Religiosas do Amor de Deus, congregação que faz um trabalho muitíssimo relevante em Moçambique e com quem a ATACA trabalha em parceria em vários projetos há muitos anos. Embora a gestão desta escola
seja privada, os professores são, na sua maioria, contratados pelo Estado. Os alunos têm ainda muita dificuldade em escrever quando ingressam no 7º ano, o que constitui um desafio para toda a comunidade educativa.
A escola está integrada numa missão católica que existe desde 1945 para prestar apoio à população da região e que se encontra, neste momento, sob a responsabilidade das Irmãs do Amor de Deus. Para além da escola, a missão é ainda constituída por um internato de rapazes e de raparigas que acolhe jovens provenientes de comunidades muito distantes da escola, uma maternidade, uma biblioteca, um laboratório de análises e uma farmácia.
Neste subprojeto, através dos donativos de tutores, a ATACA apoia jovens cujas famílias vivem em situação socioeconómica muito vulnerável, assegurando o pagamento das propinas e um lanche escolar diário e, no caso dos alunos que estão em regime de internato, também as suas despesas de sobrevivência no lar.
O objetivo estabelecido pelas Irmãs para os próximos anos é garantir o acesso à educação a todas as crianças e jovens nas comunidades locais circundantes, uma vez que muitos ficavam sem estudar. A ATACA aceitou juntar-se a este desafio e assim abriu o subprojeto Murraça em 2019.

Nharugué

A Escola Primária e Completa de Nharugué é uma escola pública que vai da 1ª classe até à 10ª classe e conta com um total de 1191 alunos. Esta escola fica a 8 km de Murraça. O diretor é o Sr. Dina, pessoa de confiança, com quem a ATACA já tinha trabalhado em anos anteriores e que nos desafiou a apoiar crianças em situação vulnerável nesta comunidade de Nharugué.

Aqui encontramos várias carências ao nível das infraestruturas e também no que diz respeito aos alunos, existindo um número significativo que não tem capacidade para adquirir uniforme e material escolar. Na escola faltam portas, janelas e redes mosquiteiras, as carteiras estão em mau estado e alguns telhados estão danificados, pelo que quando chove não há aulas.

O apoio da ATACA neste subprojeto é entregue em géneros diretamente aos alunos, de forma a suprir as necessidades individuais, mas uma parte do valor do apoio será, também, numa fase mais avançada do ano letivo, aplicada em pequenas melhorias nas infraestruturas, para que pouco a pouco consigamos criar melhores condições de aprendizagem para todos.

Chemba

Chemba é uma zona rural, já na Província de Sofala, onde as necessidades se multiplicam e o acesso à educação é um desafio para a maior parte dos jovens, pois muitos vivem a 60 ou 70 km da escola mais próxima.

Aqui existe uma escola comunitária de nome Santa Teresinha, que funciona desde a 8ª até à 12ª classe. A gerir a escola está um diretor e um dos padres e estes tomam decisões em conjunto. Os professores são pagos pelo governo e os funcionários pelos padres. A escola tem cerca de 800 alunos.

         

Perto da escola existem dois internatos: um para rapazes e outro para meninas, sendo geridos, respetivamente, pelos padres e pelas irmãs. O internato masculino funciona desde 2003 e o feminino desde 2014. Há uma carpintaria e aqui ensinam os jovens a trabalhar a madeira. O valor que os alunos pagam não cobre as despesas anuais com alimentação, higiene e alojamento no internato, pois as famílias não têm possibilidade de contribuir com muito dinheiro, por isso é necessário garantir apoios externos, mas os que existem são poucos.

No terreno da escola há pequenas casas – “palhotas” – feitas em capim pelos estudantes que vivem muito longe e não conseguem vaga ou pagar o internato. Estas palhotas vão ficando de ano para ano para quem for para a escola estudar e não tenha onde ficar. Estes alunos usam as instalações sanitárias do internato para a higiene pessoal e os que vivem mais perto vão a casa ao fim-de-semana – os outros, só conseguem ir nas férias, mas, por vezes, nem nessa altura. De casa trazem alimentos para cozinhar as suas refeições durante a semana, mas nem sempre o que as famílias produzem nas machambas (terreno agrícola) é suficiente para a alimentação dos jovens.

Foi precisamente por estes jovens que a ATACA começou o seu apoio, em julho de 2021, através do PTàD, mas os planos para o futuro passam pelo crescimento da intervenção nesta comunidade.